Resumo do livro

Delivering Happiness: a cultura Zappos para o teu restaurante

Construir uma cultura de serviço tão deliberada que os clientes acabam por fazer a tua publicidade.

de Tony Hsieh 2010 · Business Plus 272 páginas Tempo de leitura: 10 min de leitura

Tony Hsieh transformou uma loja de calçado online em dificuldades numa empresa que a Amazon comprou por mais de mil milhões de dólares, e o seu relato volta sempre à mesma ideia: não é a publicidade, é a cultura de que as pessoas realmente falam. Para um restaurante, café ou bar independente que nunca vai conseguir gastar mais em marketing do que a cadeia ao lado, essa é exatamente a única alavanca genuinamente disponível — e ainda por cima é grátis.

A grande ideia

Cultura não é um cartaz na sala de trás; é a soma de quem contratas, do que perdoas e do que celebras em voz alta — e é isso, no fim, que os teus clientes também vão sentir.

Para quem é este livro

Lê-o se estás a construir uma equipa do zero, se o ambiente na sala azedou sem ninguém dar por isso, ou se já contrataste alguém pelo currículo e te arrependeste num mês. Salta o terço do meio se procuras sobretudo táticas concretas: os primeiros capítulos são a história pessoal de Hsieh, interessante mas pouco aplicável, e podes ir direto aos capítulos sobre cultura, serviço e felicidade.

Principais lições

  • Uma equipa contratada só por dinheiro ou pelo currículo esgota-se a si própria e a todos à volta: contrata por valores partilhados, não só por técnica de cozinha.
  • O serviço WOW não é sorte; é uma decisão tomada antecipadamente sobre até onde estás disposto a ir, repetida até virar hábito.
  • Trata cada telefonema, cada reclamação e cada 'esta noite estamos cheios' como publicidade grátis, não como um incómodo a despachar depressa.
  • Reconhecimento pequeno e frequente resulta melhor do que uma grande avaliação anual para dar às pessoas a sensação de progresso real.
  • Quem persegue o lucro primeiro esgota a equipa; quem persegue primeiro um propósito, com paixão e lucro por cima, aguenta a longo prazo.

Crescer depressa não é o mesmo que crescer bem

Antes da Zappos, Hsieh cofundou uma empresa que, em dois anos, passou de um punhado de amigos a construir algo juntos para mais de cem funcionários — e acabou a temer entrar no seu próprio escritório. Olhando para trás, não conseguiu apontar uma única contratação errada como causa. Chama-lhe morte por mil cortes: à medida que a empresa crescia, continuava a contratar pessoas inteligentes e capazes que queriam o lugar pelo dinheiro ou pelo currículo, não pelo que a equipa fundadora realmente valorizava, e a cultura foi-se corroendo, contratação após contratação, cada uma perfeitamente razoável em si mesma.

Um restaurante vive a mesma história a um ritmo muito mais rápido. A contratação desesperada de uma sexta-feira à noite, seja quem for desde que tenha pulso e dois anos de experiência, parece completamente inofensiva turno a turno. Multiplica isso por uma época inteira de falta crónica de pessoal e a sala transforma-se, sem ninguém notar, de um lugar de que se tem orgulho num trabalho que apenas se aguenta — e os clientes sentem a diferença antes de conseguires nomear o que mudou.

A tua cultura é a única coisa que uma cadeia não pode copiar

O argumento de Hsieh é que não se compra uma boa reputação com publicidade; só se constrói, devagar, pela forma como as pessoas são realmente tratadas, e o passa-palavra leva isso mais longe do que qualquer campanha. Na Zappos isto tornou-se prática formal: os candidatos passavam por duas entrevistas totalmente separadas, uma de competências e outra puramente de afinidade cultural, e passar só numa nunca chegava para ser contratado.

Para um pequeno negócio de restauração isto pesa ainda mais. Um cliente não sabe se o teu fundo é caseiro, mas sente em cinco segundos se quem o recebe quer mesmo estar ali. Um turno de experiência testa se alguém sabe levar pratos e ler uma comanda; não testa nada sobre se gostarias que representasse o teu negócio numa noite em que tu não estás. Junta uma segunda conversa informal, com um café em vez de um currículo na mão, e finalmente estás a testar o que realmente decide se um cliente volta.

Hsieh foi mais longe do que a maioria dos donos alguma vez iria: aos novos funcionários em formação era oferecido dinheiro para se demitirem se não estivessem genuinamente comprometidos, partindo da ideia de que um funcionário relutante custa, a prazo, muito mais do que essa compensação. Não precisas de passar esse cheque para pedir emprestado o instinto por trás disso: um período de experiência honesto de duas semanas com uma conversa franca no fim, dos dois lados, sai muito mais barato do que seis meses com uma contratação infeliz a puxar a sala inteira para baixo em silêncio.

Escreve as quatro regras que realmente farias cumprir

A maioria das empresas tem valores que ninguém recorda passada a primeira semana; o ponto de Hsieh é que um valor só conta se estiveres genuinamente disposto a deixar sair alguém por o ignorar. Ele construiu a sua própria lista observando que funcionários gostaria de clonar e quais, por mais talentosos que fossem, nunca encaixavam bem, e testou cada valor candidato contra esse instinto antes de o incluir na lista final.

Para um restaurante isso significa evitar linguagem de sede sobre 'excelência', a favor de algo que consigas realmente apanhar a acontecer, ou não, numa terça-feira normal: despedir-se sempre à porta, nunca deixar um cliente ver a equipa a discutir, provar tudo antes de sair do pass. Quatro regras tiradas dos hábitos reais da tua melhor equipa pesam mais do que doze virtudes num cartaz plastificado que ninguém lê desde o primeiro turno.

O teste que vale a pena copiar é simples: para cada regra, pergunta-te se deixarias mesmo sair um funcionário talentoso, bom de resto, se a quebrasse. Se a resposta honesta for não, é um sentimento simpático, não uma regra, e pertence a outra lista.

Faz de 'WOW' uma palavra que a tua equipa usa mesmo

A ideia mais repetida do livro é enganosamente simples: não te limites a satisfazer, surpreende — faz algo um pouco fora do comum, acima do esperado, que crie uma reação emocional genuína e não apenas correta. Na Zappos contavam-se histórias de momentos WOW em voz alta em todas as reuniões da empresa, precisamente para que os funcionários vissem como era 'ir mais além' na prática, em vez de terem de adivinhar.

Num restaurante isto raramente é sobre gastar dinheiro. É lembrar exatamente como um cliente habitual toma o café, oferecer discretamente uma sobremesa quando se repara que uma mesa está a celebrar algo, ou acompanhar um cliente até ao carro à chuva com um guarda-chuva extra. O truque é fazê-lo de propósito, com frequência suficiente para se tornar parte de como o negócio funciona, e não um bom acaso reservado às noites boas.

O que transforma isto num hábito repetível em vez de um gesto simpático ao acaso é nomeá-lo depois. Se a tua equipa nunca ouve alguém dizer em voz alta 'aquilo foi um momento WOW', vai assumir em silêncio que o serviço correto é o teto, e não a base que realmente estás a pedir.

Trata cada telefonema como um anúncio que não pagaste

A Zappos imprimia o seu número de telefone no topo de cada página e tratava o call center como um investimento em marketing, não como um custo a minimizar: sem limites de tempo nas chamadas, sem guiões, sem metas de venda, e agentes treinados para enviar um cliente para o site de um concorrente em vez de o deixar viver uma má experiência. A história que ficou é a de uma agente que, por aposta, conseguiu à meia-noite uma entrega de piza para uma cliente ao telefone: pura boa vontade sem qualquer benefício comercial, e exatamente por isso uma história ainda contada anos depois.

Traduzido para a restauração, os momentos equivalentes costumam ser exatamente aqueles que os donos tratam como um incómodo a despachar: a chamada 'esta noite estamos cheios', o e-mail a perguntar sobre alergénios, o cliente sem reserva que é preciso recusar num sábado. Tratado com calor genuíno e uma alternativa concreta e útil — uma mesa às nove e meia, uma boa recomendação ao lado — cada um deles torna-se algo que o cliente guarda e conta a outros. Tratado com um guião ou um encolher de ombros, torna-se exatamente a razão pela qual nunca mais tenta.

Pequenas vitórias frequentes ganham a uma grande avaliação anual

Duas das experiências mais pequenas de Hsieh resultam bem fora de uma empresa de tecnologia. Os funcionários do call center recebiam um pequeno aumento por cada uma de cerca de vinte competências que escolhiam por si próprios treinar e certificar, em vez de um aumento anual fixo decidido por outros, e sentiam-se mensuravelmente mais felizes só por terem controlo sobre o seu próprio progresso. Uma promoção que antes chegava de dezoito em dezoito meses foi dividida em três passos mais pequenos de seis em seis meses, terminando exatamente no mesmo sítio mas dando a sensação de progresso constante e visível em vez de uma longa espera.

Uma sala de restaurante pode copiar as duas ideias quase sem custo: um punhado de 'medalhas' que a equipa pode ganhar — gerir o bar sozinho, conduzir um harmonização de vinhos, fechar a caixa sem supervisão, formar um novo colega — cada uma com um pequeno aumento visível de salário ou responsabilidade. Custa pouco mais do que o teu plano atual e dá às pessoas uma sensação real de controlo e progresso que uma única conversa por ano nunca consegue.

As tradições divertidas pelas quais a Zappos ficou conhecida, de fatos a um dia de solidariedade a rapar a cabeça, importam pela mesma razão de fundo que as medalhas: a cultura que a equipa ajudou a inventar fica; a cultura imposta a partir do escritório, quase nunca.

Porque é que o propósito dura mais do que o prazer, para a equipa e para ti

O argumento final do livro apoia-se na investigação sobre a felicidade: o prazer, a próxima excitação ou o próximo bónus, é o que mais depressa se desvanece dos três; a paixão, a sensação de estar completamente absorvido num trabalho bem feito, dura mais; um sentido de propósito genuíno para além do dinheiro dura mais do que todos. A maioria das pessoas, e a maioria das empresas, persegue-os pela ordem errada: primeiro o prazer, o propósito por último, se é que lá chegam.

Para um restaurante independente isto reformula o que realmente sustenta uma equipa num inverno duro ou numa semana de más críticas. Um bónus pontual compra-te uma boa sexta-feira. Uma noite em que toda a cozinha domina um serviço lotado compra-te um bom mês. Uma razão genuína para o negócio existir — formar bem jovens cozinheiros, alimentar bem um determinado bairro, manter viva uma velha receita de família — é aquilo por que as pessoas ficam quando mais nada no trabalho corre bem.

A tese mais ampla de Hsieh é que o lucro tende a seguir essa mesma ordem em vez de a liderar: propósito e paixão, bem perseguidos, produzem lucro como subproduto e não o contrário. É fácil descartar isto como o pensamento tardio de alguém que já fez o dinheiro, mas a ordem em si é uma verificação genuinamente útil de como estás a gerir o negócio hoje.

Ponha em prática

  1. Junta uma conversa curta e informal de afinidade cultural ao processo de contratação, separada do turno de experiência, e sê capaz de desistir de um talento que não encaixa.
  2. Escreve quatro regras da casa baseadas em hábitos que a tua melhor equipa já tem, e testa cada uma com: deixaria mesmo sair alguém por causa disto?
  3. Começa a nomear momentos WOW em voz alta em cada briefing, não só quando alguém menciona um por acaso.
  4. Reescreve a resposta da tua equipa a uma chamada de lotação esgotada ou a um cliente sem reserva recusado, para que ofereça algo útil em vez de apenas um não.
  5. Introduz três medalhas de competência pequenas e visíveis, com um aumento modesto associado, para que o progresso se sinta com frequência e não uma vez por ano.

Onde o livro fica aquém

O livro é tanto umas memórias de Silicon Valley como um manual de gestão, e os recursos por trás das suas melhores histórias — um call center suficientemente grande para funcionar sem guiões, uma equipa dedicada a visitas guiadas, uma empresa suficientemente grande para pagar a estagiários para se demitirem — pertencem a um negócio que cresceu até mil milhões de dólares em vendas e acabou comprado pela Amazon. Longos trechos iniciais são história pessoal e não conselho aplicável, e várias das práticas laborais americanas de Hsieh encaixam mal com o direito do trabalho europeu e as margens muito mais apertadas de um restaurante. Lê-o pelos capítulos sobre contratação, cultura e felicidade; passa por cima do resto.

O nosso veredicto

Vale a pena só por três capítulos — contratar por afinidade, serviço WOW e o quadro final sobre felicidade — mesmo que saltes os trechos de memórias no meio. Continua a ser um dos argumentos mais claros publicados de que é a cultura, não o orçamento de marketing, de que as pessoas acabam por falar.

Perguntas frequentes

Sobre o que é Delivering Happiness?

O relato de Tony Hsieh sobre como construiu a Zappos, de um site de calçado quase falido a uma empresa de mil milhões de dólares, contado através do seu próprio percurso, de uma startup anterior cuja cultura ruiu em silêncio até uma empresa construída deliberadamente à volta de valores partilhados e atendimento WOW.

É útil para um pequeno restaurante ou café?

Sim, sobretudo os capítulos sobre contratação, cultura e serviço: testar a afinidade antes de contratar, escrever uma lista curta de regras que realmente farias cumprir, e tratar cada contacto com o cliente como um momento de marca custam atenção, não o orçamento de uma grande empresa.

O que significa 'WOW' no livro?

Fazer algo um pouco inesperado e específico para um cliente ou colega, acima do estritamente esperado e memorável o suficiente para que conte a outra pessoa, feito de propósito e com frequência, não deixado ao acaso.

Como se compara a Unreasonable Hospitality ou Setting the Table?

Esses dois são escritos por donos de restaurantes e ficam dentro da sala; Delivering Happiness vem do comércio eletrónico e cobre mais terreno, incluindo contratação e investigação sobre felicidade, mas chega à mesma ideia central: obcecar-se com o que as pessoas sentem, equipa incluída.

Esta é a nossa própria leitura do livro, não um substituto. Compre o livro na sua livraria local.

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