Resumo do livro

The Restaurant Manager's Handbook: 7 lições-chave

Quase tudo para o qual um restaurante precisa de uma política escrita, num único manual enorme que se consulta, não se lê de uma assentada.

de Douglas Robert Brown 2007 · Atlantic Publishing 928 páginas Tempo de leitura: 10 min de leitura

Com mais de novecentas páginas, The Restaurant Manager's Handbook é menos um livro do que um back office inteiro num único volume: contratação, formação, compras, gestão de bar, contabilidade, marketing e segurança alimentar, cada um tratado com profundidade suficiente para se escrever uma política de raiz. A tese de Douglas Brown nunca é dita nesses termos, mas sustenta o livro inteiro: um restaurante não fracassa porque ninguém trabalha muito, fracassa porque ninguém escreve nada, e o mesmo erro repete-se a cada novo contratado. Para um proprietário estreante a afogar-se em problemas de que ninguém o avisou, é exatamente o manual a manter à mão.

A grande ideia

Um restaurante torna-se mais seguro, mais consistente e mais fácil de entregar a um gerente no momento em que os seus hábitos não escritos se tornam sistemas escritos, e este livro existe para lhe dar um primeiro rascunho de quase todos eles.

Para quem é este livro

É um livro de prateleira, não de mesa de cabeceira: mantenha-o perto do computador do escritório e abra-o quando surgir um problema concreto, desde a descrição de funções de um ajudante de cozinha até um objetivo de custo de bar. Proprietários estreantes e novos gerentes que constroem a documentação do seu negócio a partir do zero são quem mais beneficia. Quem já tem um back office maduro, ou apenas procura uma leitura inspiradora sobre hospitalidade, pode saltá-lo.

Principais lições

  • Um restaurante funciona à base de centenas de pequenas decisões que é mais seguro escrever uma vez do que improvisar em cada turno.
  • Uma descrição de funções escrita e uma integração estruturada evitam mais erros do que qualquer discurso motivacional.
  • Especificações de compra e uma rotina de receção apanham problemas de fornecedores antes de chegarem à cozinha.
  • Um bar sem políticas escritas de doses e de bebidas oferecidas é o local mais fácil de um restaurante para perder dinheiro em silêncio.
  • Não se pode gerir um custo de matéria-prima, um custo de pessoal ou um lucro que nunca se deu ao trabalho de calcular no papel.

Transforme a contratação e a formação num sistema, não numa correria

Brown trata a contratação como a primeira e mais cara decisão que um restaurante toma, e o manual fornece a matéria-prima para a fazer bem: descrições de funções detalhadas por posto, perguntas de entrevista estruturadas e listas de integração que acompanham um novo contratado nos primeiros dias, em vez de o deixar simplesmente seguir quem estiver livre. O argumento de fundo é que a rotatividade raramente é sobre o salário, é sobre nunca terem explicado com clareza a alguém o que a função realmente implica.

O material de formação vai além de um primeiro turno. Esboça como construir um programa curto de formação por posto, com marcos claros para saber quando alguém está pronto para trabalhar sozinho, e como documentar que a formação foi dada, algo que conta tanto numa discussão sobre desempenho como numa inspeção sanitária. Nada disto é uma leitura empolgante, e esse é exatamente o ponto de Brown: a consistência é uma virtude aborrecida que aparece nos resultados.

Para um pequeno independente, o valor não está na redação exata de um formulário, mas na lista de coisas que de outro modo se esquece de decidir até correrem mal: o que um turno de teste realmente testa, quem autoriza alguém a trabalhar sozinho, o que se regista quando algo falha. Construir a sua própria versão, nem que seja uma página, é melhor do que não ter nenhuma.

Especificações de compra e disciplina de inventário

Uma longa parte do livro cobre a mecânica pouco glamorosa de comprar comida e bebida: escrever especificações de compra tão precisas que dois fornecedores diferentes entreguem exatamente o mesmo produto, verificar as entregas contra a fatura à porta em vez de depois de o motorista partir, e manter um sistema simples de stock mínimo para que a cozinha nunca peça a mais por ansiedade.

Brown trata a receção como um ponto de controlo, não como papelada: uma entrega que não é pesada, contada e verificada contra o encomendado é um convite aberto a pesos em falta e produtos trocados, e um restaurante que salta este passo normalmente só nota o padrão meses depois, num custo de matéria-prima que ninguém consegue explicar. As contagens de inventário são apresentadas da mesma forma: como uma disciplina que apanha desperdício e furto, não como uma tarefa para um domingo calmo.

A mensagem de fundo é que o controlo de compras é um seguro barato: uma folha de especificação não custa nada a escrever e serve durante anos, enquanto uma entrega não verificada custa dinheiro todas as semanas em que acontece. Para uma cozinha pequena que compra a três ou quatro fornecedores, o esforço reduz-se facilmente, mesmo sem o back office maior que o livro pressupõe.

Gestão de cozinha e segurança alimentar como um único tema

O manual trata a cozinha como um sistema a gerir e não como um talento em que confiar, com secções sobre planeamento de produção, controlo de porções, custeio de receitas e receitas padronizadas que mantêm um prato igual seja quem for a cozinhar. Os capítulos de segurança alimentar estão logo ao lado deste material operacional, e não num anexo separado de conformidade, e esse é o instinto certo: uma cozinha que controla mal as suas temperaturas normalmente também controla mal as suas porções.

O conteúdo de segurança cobre o básico de que qualquer cozinha precisa, seja qual for o país: zonas de temperatura de risco, contaminação cruzada, calendários de limpeza e a disciplina de registar o que foi verificado em vez de confiar na memória. É deliberadamente processual e não inspirador, o que serve o tema: ninguém se lembra de uma regra de segurança que só lhe explicaram uma vez.

A ideia da receita padronizada vale a pena levar a sério mesmo fora do controlo de custos. Um prato que sabe diferente consoante quem está na linha é uma falha de formação disfarçada de personalidade de cozinha, e escrever a receita com pesos em vez de estimativas é a solução mais barata disponível para uma cozinha de qualquer dimensão.

Controlo de bar: onde o dinheiro desaparece em silêncio

Os capítulos sobre o bar estão entre os mais concretos do livro, porque o bar é onde os controlos de um restaurante são mais fracos e as perdas mais fáceis de esconder: doses livres em vez de medidas, bebidas oferecidas que ninguém autoriza, e uma caixa que nunca é conferida com o que foi realmente servido. Brown apresenta objetivos de custo de bar, uma política de autorização de bebidas oferecidas e rotinas simples de conferência que a maioria dos bares independentes nunca chega a montar.

O capítulo é também invulgarmente franco sobre furto, algo raro num livro dirigido a proprietários e não a consultores de segurança: servir a mais, não registar na caixa e simplesmente embolsar dinheiro são tratados como comportamentos previsíveis contra os quais se desenham controlos, não como falhas pessoais que se espera que não aconteçam. Um objetivo de custo de bar escrito e realmente verificado todas as semanas fecha sozinho a maior parte dessa brecha.

Mesmo um bar com dois funcionários e uma única caixa beneficia da mesma lógica em menor escala: saber qual deve ser o seu custo de bar, decidir quem pode oferecer uma bebida e em que circunstâncias, e conferir a caixa com as vendas pelo menos uma vez por semana, não apenas quando os números já parecem errados.

Os números sem os quais um restaurante não sobrevive

Brown parte do princípio de que a maioria dos proprietários vem da cozinha ou da sala, não da contabilidade, e os capítulos financeiros estão escritos em conformidade: explicações simples de uma demonstração de resultados, análise do ponto de equilíbrio, e as percentagens de custo de matéria-prima e de pessoal que decidem se um restaurante cheio é realmente rentável. Nada disto é avançado, e esse é exatamente o ponto: a maioria dos independentes falha nesta aritmética básica, não em algo mais difícil.

As indicações de contabilidade são deliberadamente pouco glamorosas: relatórios de vendas diários, disciplina no fundo de maneio, e o registo em papel de que um restaurante precisa na altura dos impostos, para que um proprietário não reconstrua em abril um ano de recibos de memória. O aviso implícito de Brown é que um restaurante pode estar cheio todas as noites e ainda assim perder dinheiro em silêncio, e só os números, verificados semanalmente, dirão qual das duas coisas é verdade.

Para um independente europeu, as percentagens e formulários específicos precisarão de adaptação às regras contabilísticas e de IVA locais, mas o hábito de fundo, conhecer todas as semanas a sua percentagem de custo de matéria-prima e de pessoal em vez de estimar no fim do ano, transporta-se diretamente, seja qual for a burocracia do país por cima.

Marketing como hábito repetível, não como campanha pontual

Os capítulos de marketing leem-se como uma lista de táticas ao alcance de um restaurante independente sem orçamento publicitário digno desse nome: relações com a imprensa local, uma lista de mailing ou de fidelização, eventos comunitários, e promoções internas simples que dão a uma noite fraca um motivo para encher. Está desatualizado nos canais específicos, escrito antes de as redes sociais e as avaliações online mudarem o panorama do marketing, mas a lógica de fundo, a de que a promoção é um hábito e não um evento de lançamento, mantém-se válida.

Brown empurra os proprietários a pensar o marketing como algo planeado em vez de reativo: um plano para os meses fracos, uma oferta fixa para uma terça-feira calma, um motivo para um habitual trazer um amigo. As táticas específicas envelheceram, a disciplina de decidir isto em janeiro em vez de descobrir uma terça-feira vazia em março não envelheceu.

A forma como o livro trata os dados dos clientes, simplesmente manter um registo simples de quem são os habituais e do que pedem, antecipa em uma década o que um sistema de reservas moderno faz hoje automaticamente, e vale a pena lê-la como lembrete de por que esses dados importam, mesmo que a lista de mailing hoje passe por um telemóvel em vez de um ficheiro em cartão.

Uma política para quase tudo, a adaptar ao seu próprio país

As secções finais do livro e os seus muitos formulários de exemplo formam, em conjunto, um manual de funcionário inicial: código de vestuário, assiduidade, partilha de gorjetas, procedimentos disciplinares e as bases de saúde e segurança que um novo contratado tem de ouvir no primeiro dia. O valor não está em nenhum modelo específico, escrito para o direito laboral e as licenças dos Estados Unidos, mas na lista de temas para os quais ainda não tinha percebido que o seu restaurante precisava de uma resposta escrita.

O argumento de fundo de Brown é que uma política não escrita não é uma política flexível, é uma discussão à espera de acontecer: da primeira vez que dois funcionários são tratados de forma diferente pelo mesmo atraso, a ausência de uma regra escrita torna-se problema do restaurante e não da regra. Escrever a política antes da discussão, não durante, é sempre mais barato.

Para um leitor europeu, esta é a secção que exige mais adaptação, porque o direito laboral, os costumes de gorjetas, as licenças e as inspeções sanitárias diferem muito de país para país, e até de região para região. Trate a lista de temas como uma checklist, e construa o texto real com o seu próprio contabilista ou associação patronal local, e não com os modelos americanos do livro.

Ponha em prática

  1. Escreva uma descrição de funções de uma página e uma checklist do primeiro turno para a função para a qual mais contrata.
  2. Redija uma especificação de compra para os seus três ingredientes mais caros e verifique a próxima entrega contra ela.
  3. Transforme os seus três pratos mais vendidos em receitas padronizadas com pesos exatos, não estimativas.
  4. Calcule o custo de bar do seu estabelecimento e escreva quem pode oferecer uma bebida e em que condições.
  5. Verifique esta semana a sua percentagem de custo de matéria-prima e de pessoal com faturas reais, não com a suposição do ano passado.

Onde o livro fica aquém

É um manual para consultar, não um livro para ler de fio a pavio, e com mais de novecentas páginas pode parecer receber um back office inteiro de uma só vez. Escrito para o mercado americano em 2007, o direito laboral, as indicações sobre gorjetas, os detalhes de licenciamento e até alguns capítulos de tecnologia precisam de uma adaptação real para uma cozinha europeia e já estão desatualizados em alguns pontos. Os muitos formulários de exemplo e checklists são um primeiro rascunho para reescrever por suas próprias palavras, nunca uma política acabada para colar tal e qual.

O nosso veredicto

Vale a pena ter como manual de referência, não como leitura de fio a pavio: procure-o por tema assim que surgir uma lacuna concreta na documentação do seu restaurante, adapte tudo o que é legal ou financeiro ao seu país, e conte fazer você mesmo o verdadeiro trabalho de escrita.

Perguntas frequentes

Sobre o que é The Restaurant Manager's Handbook?

Um manual muito extenso que cobre quase todas as áreas operacionais de gerir um restaurante: contratação e formação, compras e inventário, gestão de cozinha e segurança alimentar, controlo de bar, contabilidade, marketing e políticas de pessoal, com formulários de exemplo por todo o lado.

Vale a pena ler de fio a pavio?

Não muito. Funciona melhor como um manual que se consulta por tema quando surge um problema concreto, e não como um livro que se lê por ordem do princípio ao fim.

É relevante para um restaurante fora dos Estados Unidos?

A lógica operacional, especificações escritas, receitas padronizadas, objetivos de custo de bar, transporta-se bem, mas os capítulos de direito laboral, gorjetas e licenças são específicos dos Estados Unidos e têm de ser substituídos pelas regras do seu próprio país.

Quem tira mais proveito deste livro?

Um proprietário independente estreante ou um novo gerente que constrói a documentação e as políticas do seu restaurante em grande parte do zero.

Esta é a nossa própria leitura do livro, não um substituto. Compre o livro na sua livraria local.

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