Resumo do livro

Introduction to Hospitality: 7 lições para o seu restaurante

Uma visita guiada a toda a indústria da hospitalidade, útil para situar o seu restaurante dentro dela, não para gerir a sala esta noite.

de John R. Walker 2020 · Pearson 624 páginas Tempo de leitura: 8 min de leitura

Introduction to Hospitality não é um livro sobre restauração. É o manual entregue a estudantes do primeiro ano de gestão hoteleira em todo o mundo, cobrindo desde hotéis e cruzeiros a casinos, eventos e parques temáticos, com os restaurantes e o foodservice como um capítulo entre muitos. Para quem gere um restaurante, café ou bar independente, essa amplitude é precisamente o interesse: expõe o pensamento válido em todo o setor sobre serviço, liderança, marketing e experiência do cliente que um livro puramente dedicado à restauração não teria razão para mencionar, pois a maior parte foi escrita primeiro para hotéis e companhias aéreas.

A grande ideia

Um restaurante é apenas uma pequena parte de uma única indústria da hospitalidade interligada, e as mesmas disciplinas centrais, qualidade de serviço, experiência do cliente, liderança, marketing e sustentabilidade, atravessam igualmente um hotel de cinco estrelas, um cruzeiro e um restaurante de bairro; aprendê-las ao nível da indústria dá a um dono de restaurante independente uma base profissional que um livro prático mais estreito nunca se propõe a oferecer.

Para quem é este livro

Leia os capítulos relevantes se quiser uma base sólida sobre a indústria da hospitalidade em geral: como a qualidade de serviço, a experiência do cliente, a liderança, os recursos humanos e o marketing são ensinados como disciplinas com vocabulário próprio, e não como truques transmitidos oralmente. Compensa a quem vem de outra profissão e quer o enquadramento que um licenciado em hospitality já traz. Salte-o, ou passe os olhos por cima, se já tem anos de sala e procura táctica para amanhã à noite: bem mais de metade do livro trata de hotéis, turismo, eventos, jogo e clubes privados, nada disso muda o seu serviço esta noite.

Principais lições

  • A qualidade de serviço é uma disciplina mensurável com vocabulário próprio, não um traço de personalidade, e ensina-se da mesma forma em qualquer parte da hospitalidade.
  • A restauração é apenas um segmento de uma indústria da hospitalidade muito maior, e saber onde se encaixa explica o que os clientes já esperam antes de entrar.
  • Gestão e liderança são competências que se aprendem, com uma teoria robusta por trás, raramente escrita a pensar numa cozinha pequena mas raramente inútil para uma.
  • Na hospitalidade, as pessoas SÃO o produto; como recruta, forma e trata a sua equipa nota-se à mesa mais depressa do que qualquer receita.
  • A sustentabilidade e a tecnologia são tratadas como mudanças permanentes no funcionamento de toda a indústria, não modas passageiras, por isso um dono de restaurante que ignore ambas fica atrás de um setor que já se mexeu.

O que significa 'hospitality' como indústria, e porque se mede a qualidade de serviço

O livro abre com uma definição ampla de hospitalidade: o negócio de fazer alguém sentir-se cuidado enquanto está longe de casa, seja essa casa temporária um quarto de hotel, um camarote de cruzeiro, um lugar de avião ou uma mesa de restaurante. Esse enquadramento é útil precisamente por não ser específico da restauração. Um cliente que nessa manhã saiu de um hotel que o cumprimentou pelo nome, ou que na semana anterior foi bem recebido a bordo de um voo, traz esses padrões para a sua sala, quer alguma vez tenha competido com um hotel ou não.

A qualidade de serviço é tratada como algo que se pode definir e medir, não como algo que simplesmente corre bem ou mal. Uma ideia recorrente na literatura de gestão hospitality em que este livro se apoia é o 'momento da verdade': cada ponto em que um cliente forma uma impressão, o telefonema, o acolhimento à porta, a espera por uma mesa, a forma como uma reclamação é tratada, é um pequeno teste que o negócio passa ou falha, e a soma desses testes é o que um cliente realmente recorda, mais do que a comida sozinha. É uma disciplina útil para um independente porque decompõe a 'boa hospitalidade' em momentos concretos, corrigíveis um a um, em vez de uma sensação vaga.

O livro também dedica tempo ao fosso entre o que um cliente espera e o que realmente recebe, um fosso que se alarga ou se fecha consoante o que já lhe foi prometido, no seu marketing, na sua decoração, nos seus preços, antes mesmo de se sentar. Um restaurante que se vende com modéstia e entrega mais fecha esse fosso a seu favor; um que sobrevende uma sala modesta faz o oposto. Nada disto é exclusivo da restauração; é o mesmo modelo que uma cadeia hoteleira ensina à sua receção, aplicado aqui a uma sala.

Onde a restauração se encaixa numa indústria muito maior

O livro trata o foodservice como um segmento da hospitalidade junto do alojamento, turismo, eventos, lazer, jogo e clubes, e dedica um capítulo a como os restaurantes se dividem em segmentos comerciais, alta cozinha, casual, comida rápida, fast casual, e não comerciais, restauração coletiva em hotéis, hospitais, escolas e cantinas de empresa. Para um independente, esse mapa é sobretudo contexto, não uma ação direta, mas deixa uma coisa clara: a maior parte do crescimento e do investimento do setor vai para cadeias e franquias, e os independentes sobrevivem daquilo que a escala não consegue comprar, uma relação real com o bairro, uma ementa que pode mudar de um dia para o outro, uma cara conhecida à porta.

O capítulo sobre franquias é útil mesmo para quem nunca vai comprar uma, porque expõe com clareza o que uma franquia dá ao seu proprietário, um sistema testado, reconhecimento de marca, relações com fornecedores, e o que custa, taxas, processos impostos, pouca liberdade sobre a ementa. Lido ao contrário, como independente, é um inventário honesto de tudo o que uma franquia compra em sistema e consistência, e que tem de construir sozinho, devagar, sem manual.

O livro também é franco, como costumam ser os textos académicos, sobre como as margens são apertadas em todo o setor do foodservice e como o negócio é sensível aos custos de pessoal, matéria-prima e ocupação, números apresentados como médias americanas que não se aplicam tal e qual a um mercado europeu, mas a aritmética de fundo, três linhas de custo que consomem quase tudo o que entra, mantém-se em qualquer lado.

Teoria de gestão e liderança, sem o átrio do hotel

Uma grande parte do livro é uma introdução clássica à teoria de gestão, planear, organizar, dotar de pessoal, dirigir, controlar, seguida de um panorama dos estilos de liderança clássicos, autoritário, democrático, laissez-faire, e a liderança situacional, a ideia de que o estilo certo depende da pessoa e do momento, não de uma marca pessoal fixa. Nada disto foi escrito a pensar numa cozinha de cinco pessoas, mas as perguntas de fundo, quem decide o quê, quanto delega, como ajusta o seu estilo para uma nova contratação versus alguém com dez anos de casa, aplicam-se a qualquer dimensão.

A ideia mais transferível para um negócio pequeno é a distinção entre gerir e liderar: quem gere mantém a escala, os pedidos e os números a funcionar; quem lidera fixa o padrão pelo qual todos os outros se medem. Num grande hotel podem ser duas pessoas diferentes. Num restaurante de doze mesas é normalmente a mesma pessoa com dois chapéus na mesma noite, e o livro é uma boa introdução ao que cada chapéu exige de facto.

Também aborda a estrutura organizacional e a amplitude de controlo de uma forma pensada para propriedades com departamentos e chefes de turno que reportam para cima através de várias camadas. Um independente dificilmente reconhecerá o seu próprio negócio nesses esquemas, mas vale a pena responder à pergunta de fundo, quem responde de facto por uma decisão quando não está no espaço, mesmo que nunca desenhe um organigrama.

Recrutar, formar e reter, como disciplina própria

Os capítulos de recursos humanos cobrem recrutamento, seleção, integração, formação, avaliação de desempenho e noções de direito laboral que variam muito de país para país, pelo que os detalhes não se transferem diretamente para uma cozinha europeia. O que se transfere é o enquadramento: a gestão de pessoal é apresentada como um processo com etapas distintas e geríveis em separado, não um único evento chamado 'contratar', e a rotatividade é tratada como um custo a medir, em investimento de formação perdido e serviço perturbado, e não como um facto inevitável da hotelaria.

O livro é útil sobre a diferença entre a integração, a parte de papelada e regras da casa de um primeiro dia, e a formação a sério, ensinar alguém a fazer bem o trabalho, uma distinção que muitas cozinhas pequenas confundem por não fazerem bem nenhuma das duas. Dedica também tempo real ao motivo pelo qual as pessoas realmente saem da hotelaria, o salário, mas também horários imprevisíveis, falta de perspetiva clara e a sensação de não serem valorizadas, o que coincide com o que a maioria dos independentes já suspeita mas raramente regista como algo para agir.

A gestão de desempenho é tratada como uma conversa contínua em vez de um formulário anual, com feedback dado perto do momento em que é merecido, em vez de guardado. Para quem só corrige erros e nunca menciona o que correu bem, só esta secção já vale a leitura, mesmo por alto.

O marketing como sistema: o mix, o posicionamento e quem é realmente o seu cliente

Os capítulos de marketing percorrem o kit de ferramentas clássico, produto, preço, distribuição, promoção, mais o posicionamento: decidir, deliberadamente, em que deve pensar um cliente quando pensa no seu espaço, em vez de esperar que ele deduza pela ementa. É marketing de manual, não marketing específico da restauração, por isso os exemplos pendem para hotéis e destinos, mas as perguntas de fundo, quem é o seu cliente-alvo, o que lhe oferece de facto que a concorrência não oferece, são exatamente as que qualquer restaurante independente precisa de responder com honestidade.

Há uma secção útil sobre segmentação de mercado, a ideia de que 'toda a gente' não é um público-alvo, e que uma ementa, uma sala e um posicionamento de preço pensados para agradar a todos acabam geralmente por não agradar muito a ninguém. Aplicado a um restaurante, é um empurrão para decidir mesmo para quem é o almoço de terça-feira e para quem é o jantar de sábado, em vez de tentar ser igualmente atrativo para ambos com uma só ementa.

O livro trata marketing digital e redes sociais ao nível de uma introdução geral, não como boas práticas atuais, porque qualquer conselho específico sobre uma plataforma, num manual, envelhece em poucos anos. Fique com a ideia de fundo, que um cliente pesquisa e decide antes mesmo de telefonar ou entrar, e procure a sua táctica concreta para as plataformas de hoje noutro lado.

O papel crescente da tecnologia, e o que chega mesmo a uma cozinha pequena

O último fio condutor do livro, e o mais visivelmente atualizado nesta edição, é o quanto da experiência do cliente, em cada segmento da hospitalidade, passa agora pela tecnologia: motores de reserva, plataformas de avaliações, check-in móvel, sistemas de cozinha e de gestão de propriedades, dados sobre preferências dos clientes usados para personalizar uma estadia ou visita. Trata a tecnologia como infraestrutura sobre a qual já funciona toda a indústria, tal como a eletricidade foi um dia, e não como um extra para os mais ambiciosos.

A maioria dos sistemas específicos descritos, grandes plataformas de gestão de propriedades para hotéis, motores de reserva para cruzeiros, vão muito além do que um restaurante independente precisa ou consegue justificar. O que se transfere diretamente é a mudança de fundo que o livro documenta: hoje, um cliente forma uma opinião sobre o seu espaço, e muitas vezes decide se reserva, antes de ter qualquer contacto humano, a partir das suas avaliações online, do seu processo de reserva e do aspeto do seu site no telemóvel.

O livro também reconhece com franqueza que um manual é o pior sítio para aprender ferramentas concretas e atuais, porque tudo o que é nomeado em papel está quase ultrapassado quando um estudante o lê. Fique com o capítulo pelo seu argumento, que a tecnologia já molda as expetativas de um cliente antes mesmo de ele entrar, e procure noutro lado as ferramentas concretas para agir sobre isso.

Ponha em prática

  1. Mapeie os cinco momentos por que passa um cliente no seu espaço e corrija primeiro o mais fraco, com a ideia do momento da verdade em vez de uma sensação vaga de que 'o serviço podia ser melhor'.
  2. Escreva o que uma cadeia ou franquia próxima não consegue copiar do seu espaço, e ponha isso onde um cliente novo o veja mesmo.
  3. Decida, numa frase, quem é realmente o seu cliente de sexta à noite, e confronte a sua ementa e preços com essa pessoa em vez de com 'toda a gente'.
  4. Dê esta semana um feedback positivo concreto a um membro da equipa, antes da próxima correção que fizer a alguém.
  5. Reserve o seu próprio restaurante online como faria um desconhecido, e corrija o pior passo desse processo.

Onde o livro fica aquém

É um manual panorâmico escrito para estudantes de hospitality management, não um livro sobre gerir um restaurante independente, e lê-se como tal: denso, amplo, construído à volta de objetivos de aprendizagem e perguntas de discussão em vez de um argumento único e contínuo. Bem mais de metade trata de hotéis, turismo, companhias de cruzeiro, congressos e eventos, jogo e clubes privados, secções que um dono de restaurante ou café pode saltar por completo, e os exemplos e dados de mercado de trabalho são muito marcados pelo contexto norte-americano, por vezes em desacordo com as regras europeias sobre salários, gorjetas e horários. Os capítulos sobre tecnologia e marketing digital, em particular, envelhecem mais depressa do que o resto do livro. Leia-o pelos enquadramentos válidos em todo o setor sobre serviço, liderança, recursos humanos e marketing, não por táctica específica de restauração.

O nosso veredicto

Vale mais a pena pedir emprestado do que comprar, se procura o vocabulário e os enquadramentos que um licenciado em hospitality já tem, sobretudo sobre qualidade de serviço e experiência do cliente; salte-o se procura um livro específico sobre restaurantes, pois cerca de dois terços trata de hotéis, turismo e eventos que nunca tocarão o seu negócio.

Perguntas frequentes

Sobre o que é Introduction to Hospitality?

É o manual introdutório de referência para estudantes de hospitality management, uma visão ampla de toda a indústria hospitality e do turismo, hotéis, restaurantes, turismo, eventos, lazer, jogo e clubes, mais capítulos transversais sobre gestão, marketing, recursos humanos, qualidade de serviço, sustentabilidade e tecnologia.

É escrito para donos de restaurantes?

Não. É escrito para estudantes que entram na indústria da hospitalidade em sentido amplo, e a restauração é um capítulo entre outros dedicados a hotéis, turismo, eventos, jogo e clubes. Um independente tira mais partido dos capítulos sobre qualidade de serviço, liderança, recursos humanos e marketing, e pode saltar o resto.

Qual é a ideia central do livro?

Que a hospitalidade é uma única indústria interligada com disciplinas partilhadas, qualidade de serviço, experiência do cliente, liderança, marketing, sustentabilidade, que se aplicam quer geridos um hotel de cinco estrelas, um cruzeiro ou um restaurante de bairro.

Como se compara a um livro específico de restauração como Unreasonable Hospitality?

É mais amplo e académico onde um livro desses é mais estreito e prático. Leia Introduction to Hospitality pelos enquadramentos válidos em todo o setor, e um livro específico de restauração por táctica que possa usar na sala já esta semana.

Esta é a nossa própria leitura do livro, não um substituto. Compre o livro na sua livraria local.

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