Finanças

Indução ou Gás: 3 Números Para o Seu Próximo Fogão

Antes de pensar no preço, o seu eletricista verifica outra coisa: se a sua ligação aguenta mesmo.

Neste artigo
  1. Porque a conta do folheto não é a sua conta
  2. Os 3 números, pela ordem em que o param
  3. Faça as contas para a sua própria cozinha
  4. O que fazer esta semana, este mês e este trimestre
  5. A pergunta nunca é só "indução ou gás" — é "é possível, e compensa"

Um orçamento para um fogão de indução começa sempre com a mesma promessa: menos energia desperdiçada, uma cozinha mais fresca, menos risco de incêndio. O que quase nunca aparece é a pergunta que o eletricista faz primeiro — e não tem nada a ver com o preço do fogão.

Trocar seis bicos a gás por seis zonas de indução parece uma troca simples: mesmo lugar, mesmas panelas, tomada diferente. O problema é que "tomada diferente" é um eufemismo enorme. Um bico a gás tira a energia de uma tubagem que já lá estava; uma zona de indução tira-a da mesma ligação da câmara frigorífica, da máquina de lavar loiça, da exaustão e do termoacumulador. Essa ligação tem um limite, e quase ninguém o verifica antes de encomendar o novo fogão.

Esse é o primeiro número deste artigo, e é o que decide se o resto da conversa sequer importa: quantos quilowatts ainda tem livres a sua ligação, depois de tudo o que já está ligado ter reclamado a sua parte? Só depois conta o segundo número — o que custa realmente uma hora de cozinha, indução contra gás, aos seus próprios preços de energia, não ao preço médio de um folheto. E só com estas duas respostas em mãos é que o terceiro número, o retorno do investimento, faz sentido.

No fundo deste guia está uma calculadora que lhe dá os três números para a sua própria ligação, a sua própria cozinha e os seus próprios preços de energia. Os números de exemplo acima são de uma cozinha de média dimensão com uma ligação de 45 kW — se não for o seu caso, basta substituir os campos.

Tudo é calculado no seu próprio navegador: nada é enviado, nada é guardado. Os preços de energia e a potência contratada abaixo são médias europeias, a título ilustrativo — a sua própria fatura e o seu próprio eletricista têm a palavra final, não este artigo.

Porque a conta do folheto não é a sua conta

Todos os fabricantes citam o mesmo número, e está correto: a indução coloca 85 a 90% da sua energia na panela, cozinhar a gás apenas 40 a 55% — o resto aquece a cozinha, não a comida. O que o folheto não diz é quanto custa um quilowatt-hora. Na maior parte da Europa, um restaurante paga pela eletricidade, por kWh, entre três a quatro vezes mais do que pelo gás. "Mais eficiente" e "mais barato de usar" são duas afirmações diferentes, e a segunda não decorre automaticamente da primeira.

Faça as contas e o quadro inverte-se: aos preços profissionais europeus habituais, uma hora de cozinha a indução custa muitas vezes cerca do dobro de uma hora a gás — não porque a indução consuma mais, mas porque o que consome custa mais por unidade. Isto não é um argumento contra a indução; é um argumento contra a conta que para em "mais eficiente, logo mais barato".

E antes de tudo isso está o número que nenhum folheto menciona: a sua ligação sequer aguenta? Uma cozinha nunca é dimensionada pela soma de tudo o que contém — isso exigiria uma ligação absurdamente grande e cara para equipamento que nunca funciona todo em simultâneo a plena potência. Os eletricistas calculam por isso com um fator de simultaneidade: a parte da potência total que realisticamente está em funcionamento ao mesmo tempo, normalmente 65 a 75% numa cozinha ativa. Seis novas zonas de indução contam aí na totalidade, e é exatamente aí que "trocamos isto no fim de semana" esbarra num quadro elétrico nunca pensado para aguentar isso.

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Os 3 números, pela ordem em que o param

Surgem pela ordem em que uma troca real os encontra. O primeiro decide se é possível. O segundo se custa ou poupa dinheiro. O terceiro só faz sentido depois de respondidos os dois primeiros.

1. A sua potência contratada: o número que nada tem a ver com dinheiro

Considere uma cozinha média com uma ligação de 45 kW. Câmara frigorífica, máquina de lavar loiça, exaustão, termoacumulador e o equipamento elétrico já existente reclamam, em conjunto, em média 32 kW disso — um número que o seu eletricista lhe pode dar, ou que uma simples medição durante um serviço intenso revela.

Substituir seis bicos a gás por seis zonas de indução de 3,5 kW cada parece "6 × 3,5 = mais 21 kW", mas não é assim que uma cozinha funciona: nem todas as seis estão a plena potência ao mesmo tempo. Com o habitual fator de simultaneidade de 70% para uma linha intensa, isso equivale a 14,7 kW que na prática são efetivamente acrescentados.

32 kW já reclamados, mais 14,7 kW a mais, dá 46,7 kW — sobre uma ligação de 45 kW. Faltam 1,7 kW, e é exatamente esse o cenário que, na prática, trava uma troca "simples": não porque a indução não caiba na bancada, mas porque o quadro elétrico não tem espaço. É também por isso que reforçar a sua ligação — um pedido ao operador de rede, por vezes com espera — é um custo real que nenhum folheto de fabricante menciona.

A regra é simples o suficiente para verificar sozinho antes de pedir um orçamento: some o que já está na sua ligação, some o que o novo equipamento pede ao mesmo tempo, e compare com o que a sua ligação permite. Se houver margem, o resto deste artigo é uma simples conta. Se não houver, o resto deste artigo é uma conta com um reforço de ligação incluído.

Para onde vão os seus 45 kW

O que já está reclamado na sua ligação, o que seis zonas de indução — com um fator de simultaneidade de 70% — pedem ao mesmo tempo, e o que resta. Ou não resta.

Ligação: 45 kW

1,7 kW em falta

Já em uso 6 zonas de indução (70% simultâneo) Em falta

32 kW já estão reclamados em média, 14,7 kW são acrescentados ao mesmo tempo — 46,7 kW no total contra uma ligação de 45 kW. Faltam 1,7 kW, e essa falta só costuma ficar visível quando o instalador já tem o medidor no local, não na altura da encomenda.

2. O que custa uma hora de cozinha, indução contra gás

Pegue nessa mesma zona de 3,5 kW e calcule-a de três formas: em lume brando, a saltear, e no wok a plena potência. Em todas as três se repete o mesmo padrão, e não é o que o folheto sugere.

Aos preços profissionais europeus habituais — digamos 0,070 € por kWh de gás e 0,240 € por kWh de eletricidade, uma relação que pode variar muito de país para país e de contrato para contrato — cozinhar em lume brando a indução custa cerca de 0,27 € à hora contra 0,15 € a gás. A plena potência isso passa a 0,96 € contra 0,51 €. Apesar de desperdiçar muito menos energia, aqui a indução custa cerca do dobro por hora, porque a eletricidade é a unidade mais cara.

Essa relação não é fixa — é uma relação entre dois preços, e não é igual em todo o lado. Quem tenha painéis solares próprios, tarifa noturna, ou simplesmente não tenha ligação de gás e cozinhe com garrafas caras, vê o quadro inverter-se, por vezes por completo. É exatamente por isso que a calculadora abaixo pede os seus próprios dois preços em vez de repetir os de cima como se fossem uma verdade absoluta.

Mantenha a distinção clara: a eficiência diz quanta energia chega à comida. O custo por hora diz o que essa energia lhe custa. Não são a mesma afirmação, e um fogão pode ganhar numa e perder na outra.

O que custa uma hora de cozinha, por nível de potência

A mesma zona de 3,5 kW, usada de três formas: lume brando, a saltear, e plena potência. Em cada nível, aqui a indução custa cerca do dobro do gás — não porque consuma mais, mas porque a eletricidade custa mais por kWh.

Lume brando
0,15 €
Gás
0,27 €
Indução
A saltear
0,29 €
Gás
0,55 €
Indução
Plena potência
0,51 €
Gás
0,96 €
Indução

Calculado com 0,070 € por kWh de gás e 0,240 € por kWh de eletricidade — médias europeias, a título ilustrativo. Na sua própria fatura essa relação pode ser completamente diferente: introduza os seus próprios números na calculadora abaixo.

3. O retorno do investimento: só faz sentido depois dos dois primeiros números

Um retorno do investimento é: o que custa a troca, dividido pelo que poupa por ano. O que custa é o sobrepreço do equipamento de indução face a um fogão a gás equivalente, mais — se o primeiro número acima deu negativo — o custo de um reforço de ligação.

Mas "o que poupa" pressupõe que há algo a poupar, e é exatamente aí que o segundo número acima pode inverter a história. Se uma hora de cozinha a indução custa mais do que a gás, não há nada a recuperar na fatura de energia — só um custo anual mais alto a somar. Nesse caso, a razão para trocar tem de ser outra que não o dinheiro: uma proibição de novas ligações de gás na sua zona, um desconto no seguro de incêndio por eliminar a chama aberta, ou simplesmente um fogão que já ia ser substituído de qualquer forma.

Se houver mesmo uma poupança — porque os seus próprios preços de energia diferem da média europeia, ou porque compra eletricidade mais barata do que o gás — essa poupança conta mesmo face ao custo inicial, e um retorno de poucos anos torna-se realista. O ponto não é que a indução nunca compense; o ponto é que só o saberá depois de refazer os dois primeiros cálculos com a sua própria ligação e a sua própria fatura.

Faça as contas para a sua própria cozinha

Indique o que a sua ligação aguenta, o que já está a consumir, quantos bicos vai substituir e o que paga por kWh. Os campos vêm preenchidos com os números da cozinha média acima, para que veja logo como se lê — substitua-os pelos seus.

A calculadora dá-lhe três respostas: se a sua ligação aguenta a troca ou precisa de um reforço, quanto custará a mais ou a menos um ano de cozinha, e — só quando há algo a poupar — em quantos anos o investimento se paga a si próprio.

Análise de indução

A sua ligação, os seus preços de energia, e se a troca compensa.

A sua ligação
Os seus preços e consumo de energia
O que custa a troca
A sua ligação
Diferença por ano
cozinhar a indução face ao gás
Retorno do investimento

Os preços de energia acima são médias europeias a título ilustrativo e não têm em conta o seu contrato, a sua região nem uma eventual tarifa noturna. Tudo é calculado no seu navegador; nada é enviado ou guardado.

Duas coisas a reter ao ler o seu próprio resultado. Uma falta na sua ligação não é um beco sem saída — é um custo extra que agora conhece antecipadamente, em vez de o descobrir quando o instalador já tem o medidor no local. E uma poupança negativa não significa que a indução seja má ideia; significa que a razão para trocar tem de estar noutro sítio que não a sua fatura de energia.

Em caso de dúvida, verifique duas coisas antes de assinar um orçamento: uma medição real do que a sua ligação já aguenta (um registador de carga durante um serviço intenso custa pouco e é definitivo), e se a sua seguradora de incêndio dá desconto por uma cozinha sem chama aberta. Ambas alteram a resposta da calculadora acima mais do que o preço do fogão em si.

O que fazer esta semana, este mês e este trimestre

Errar aqui custa milhares de euros — ou num reforço que se revela desnecessário, ou num fogão que nunca chega a ser ligado. Esta ordem evita ambos.

Esta semana — verifique o que já tem

  • Procure a sua potência contratada: está no seu quadro elétrico ou na última fatura do operador de rede.
  • Peça ao seu eletricista uma estimativa do que já está reclamado em média nessa ligação, ou peça para medir um serviço intenso.
  • Retire o seu preço do gás e da eletricidade por kWh das últimas faturas — não a média europeia acima.
  • Introduza os três valores na calculadora acima e leia qual dos quatro cenários se aplica a si.

Este mês — peça os dois números que o folheto não dá

  • Peça um orçamento para o equipamento de indução concreto que quer, não um sobrepreço médio.
  • Se a sua ligação estiver no limite: peça ao operador de rede um preço concreto e um prazo de espera para um reforço.
  • Pergunte explicitamente à sua seguradora de incêndio se uma cozinha sem chama aberta reduz o prémio.
  • Recalcule o retorno com estes números reais em vez dos valores por defeito.

Este trimestre — decidir e planear, não improvisar

  • Se compensar no papel: planeie a troca para as suas semanas mais calmas, para que o instalador possa testar o novo circuito antes de um serviço intenso.
  • Se não compensar no papel: refaça as contas no próximo ano — os preços de energia mudam todos os anos, e esta resposta pode inverter-se sem que a sua cozinha mude nada.
  • Inclua o sobrepreço e um eventual reforço no seu próprio orçamento de obras, não como uma rubrica isolada.
  • Guarde a medição da sua ligação: vai precisar dela de novo assim que eletrificar outro equipamento.

A pergunta nunca é só "indução ou gás" — é "é possível, e compensa"

Quase todos os orçamentos para uma cozinha de indução começam pelo preço do fogão e terminam com um número de eficiência tirado do folheto. Ambos os números estão corretos, e mesmo assim ambos falham a pergunta que decide realmente a troca na prática: há margem na sua ligação, e a eletricidade é suficientemente barata por kWh onde está para que essa eficiência extra se reflita em euros.

Isto não é uma razão para não trocar — é uma razão para inverter a ordem. Verifique primeiro a sua ligação, depois os seus próprios preços de energia, e só então o retorno do investimento. Em algumas cozinhas a conta inverte-se por completo assim que entram os números próprios; noutras mantém-se tão negativa como a média europeia acima, e isso também é uma resposta válida.

Faça depois o mesmo exercício ao resto da sua fatura de energia: os custos energéticos da sua cozinha passam exatamente pelo mesmo quadro elétrico, e o seu plano de manutenção decide de qualquer forma quando um fogão está para substituir — o momento em que esta conta sai de graça.

Perguntas frequentes

A indução é sempre mais barata do que o gás numa cozinha de restaurante?

Não por definição. A indução coloca 85 a 90% da sua energia na panela contra 40 a 55% do gás, mas a eletricidade custa entre três a quatro vezes mais do que o gás por kWh na maior parte da Europa. "Mais eficiente" e "mais barato de usar" são duas afirmações distintas — a preços europeus habituais, uma hora a indução custa muitas vezes cerca do dobro de uma hora a gás. Eletricidade barata, painéis solares ou uma tarifa noturna podem inverter isto.

Posso simplesmente substituir o meu fogão a gás por indução?

Só se a sua ligação tiver margem. Uma cozinha é dimensionada com um fator de simultaneidade normalmente de 65 a 75% — nem tudo funciona a plena potência ao mesmo tempo. Seis novas zonas de indução contam aí na totalidade, o que muitas vezes empurra uma ligação já intensa mesmo acima do seu limite. Verifique isso com o seu eletricista antes de encomendar, não depois.

O que é um fator de simultaneidade?

A parte da potência total contratada que um eletricista espera realisticamente ver a funcionar ao mesmo tempo. Uma cozinha cheia de equipamento raramente consome 100% da sua potência teórica em simultâneo, por isso a ligação é dimensionada numa percentagem mais baixa e realista — normalmente 65 a 75% para uma cozinha de restauração intensa. É o que permite a uma ligação ser mais pequena do que a soma de todo o equipamento, e também o que faz com que um equipamento novo ainda assim possa ser demasiado.

Quanto custa reforçar a minha ligação elétrica?

Varia muito consoante o operador de rede, a região e quanta potência extra precisa — não existe um número europeu fixo. Peça um orçamento concreto e um prazo ao seu operador de rede antes de encomendar um fogão: esse valor deve entrar no cálculo do retorno, não aparecer como surpresa depois.

Existe uma proibição de fogões a gás nos restaurantes?

Algumas cidades europeias limitam novas ligações de gás em obra nova ou grandes remodelações, mas uma proibição geral que obrigue as cozinhas de restaurante já existentes a trocar é rara. Verifique as regras do seu próprio município e do seu operador de rede — mudam mais depressa do que um artigo como este consegue acompanhar.

Uma cozinha elétrica muda o meu seguro de incêndio?

Com algumas seguradoras, sim: uma cozinha sem chama aberta representa um risco de incêndio diferente. Pergunte explicitamente à sua própria seguradora e conte um eventual desconto no seu retorno do investimento — é muitas vezes o número que torna positiva uma conta de outro modo negativa.