Prazo de Pagamento: 7 Números Sobre Quem O Pode Fazer Esperar (Guia 2026) | HappyChef
Finanças

Prazo de Pagamento: 7 Números Sobre Quem O Pode Fazer Esperar

O seu fornecedor faz-lhe esperar 45 dias por uma nota de crédito. Você faz um cliente de catering esperar 60 dias pela fatura dele. Dos dois lados, sem que ninguém verifique, correm automaticamente juros de mora e uma indemnização de 40 €.

Neste artigo
  1. Porque isto corta dos dois lados, não só de um
  2. Os 7 números
  3. Quanto custa legalmente uma fatura em atraso
  4. O que fazer concretamente com estes sete números
  5. O que fazer com isto na prática

Um restaurante está sempre dos dois lados da mesma lei ao mesmo tempo: devedor perante o fornecedor de hoje, credor perante o cliente de catering do mês passado — e de nenhum dos lados alguém sabe o número que a lei lhe atribui.

À mesa, ninguém paga a crédito. O cliente acerta contas antes de sair porta fora, com cartão ou em dinheiro, e é aí que a maioria dos proprietários deixa de pensar em "prazos de pagamento". Mas assim que sai uma fatura — para um cliente de catering, para uma empresa que reservou uma festa de pessoal, para um organizador de eventos — a casa deixa de ser caixa e passa a credora. E assim que entra uma fatura do fornecedor de legumes, da lavandaria ou do distribuidor de bebidas, essa mesma casa é devedora.

Os dois lados são regidos pela mesma lei europeia, e essa lei tem números duros: um prazo supletivo quando nada foi acordado, um tecto absoluto em vários Estados-Membros, juros que começam a correr automaticamente sem que ninguém envie uma carta, e uma indemnização fixa de 40 € por fatura em atraso que praticamente ninguém na restauração alguma vez reclamou.

gestao-fluxo-caixa-restaurante.html já trata os prazos de pagamento como alavanca — negociar 7, 30 ou 45 dias para comprar folga de tesouraria — e negociar-fornecedores-restaurante.html dá as táticas para essa conversa. Nenhum dos dois diz o que a lei realmente permite se essa conversa não levar a lado nenhum, nem o que lhe é devido quando é a sua própria fatura a ser paga com atraso.

Este artigo preenche essa lacuna: sete números, cada um com fonte, que juntos definem o piso e o tecto de qualquer prazo de pagamento que um negócio de restauração alguma vez assine — como devedor e como credor.

Porque isto corta dos dois lados, não só de um

A maioria dos proprietários lê "prazo de pagamento" e pensa apenas no fornecedor que o faz esperar. É metade da história. Qualquer casa que faça catering, que fature um almoço de empresa ou que cobre um batizado ou uma festa de pessoal por fatura escrita em vez de à mesa é, nesse momento, a credora — com exatamente os mesmos direitos legais que um fornecedor tem contra si.

É precisamente por isso que gestao-eventos-reservas-grupo.html se liga a este tema: cada fatura de grupo que sai está abrangida pelas mesmas regras que a fatura que entra. Quem conhece apenas o lado do devedor deixa em cima da mesa dinheiro que a lei já lhe atribui como credor — juros e uma indemnização fixa, automaticamente, sem qualquer interpelação.

Os números abaixo leem-se nos dois sentidos: como tecto ao que um fornecedor lhe pode exigir, e como direito ao que um cliente em atraso lhe deve. A mesma lei, dois lados, e mais à frente uma calculadora que faz os dois.

Guia O guia financeiro completo Todos os artigos sobre tesouraria, custos e os números da restauração, num só sítio. Ver o guia

Os 7 números

Pela ordem em que uma fatura em atraso se acumula na prática: do ponto de partida que toda a gente assume, passando pelo tecto duro que poucos conhecem, até ao ano em que morreu um número europeu comum.

1. 30 dias — o ponto de partida supletivo da UE

A Diretiva 2011/7/UE, transposta para a lei de todos os Estados-Membros, fixa o piso: se o contrato nada disser sobre o prazo de pagamento, esse prazo é de 30 dias de calendário a contar da data da fatura ou da entrega dos bens ou serviços — o que ocorrer mais tarde. Aplica-se em toda a UE, a qualquer transação entre empresas, independentemente da dimensão delas.

Trinta dias não são, portanto, "o prazo habitual" nem um hábito do setor — são o prazo legal supletivo que se impõe automaticamente assim que um fornecedor ou um cliente não tenha acordado outra coisa. Numa fatura de 2250 € sem prazo escrito em lado nenhum, o dia 31 é o dia em que os juros de mora começam a correr, seja lá o que tenha sido combinado de viva voz.

2. 60 dias — a Bélgica fecha completamente a porta das traseiras

Desde 1 de fevereiro de 2022, um contrato entre empresas na Bélgica já não pode fixar um prazo de pagamento superior a 60 dias de calendário — para qualquer empresa, do empresário em nome individual ao grupo cotado em bolsa. Uma cláusula que prometa mais tempo não é "anulada por um juiz": é, por força da lei, tida por não escrita, e a fatura volta automaticamente ao prazo supletivo de 30 dias.

É mais rigoroso do que aquilo que a maioria dos outros Estados-Membros aplica. A regra geral europeia ainda admite um prazo mais longo desde que não seja "manifestamente abusivo" para o credor — um teste vago e raramente imposto na prática. A Bélgica limitou-se a suprimir essa exceção e fechou ao mesmo tempo a conhecida manobra de contorno: os contratos deixavam o relógio arrancar apenas depois de uma "verificação de conformidade" dos bens entregues. Esse período de inspeção conta agora dentro dos 60 dias, e não antes deles.

Cinco tectos, nenhum deles partilhado

O mesmo piso europeu de 30 dias em todo o lado — mas cada país traça a sua própria linha dura, ou nenhuma.

30 dias O piso da UE, em todo o lado Diretiva 2011/7/UE — o mínimo comum quando nada é acordado, nos 27 Estados-Membros.
60 dias Bélgica — sem exceções Desde fev. 2022, tecto legal duro; uma cláusula mais longa é simplesmente tida por não escrita.
45 / 60 dias França — LME, com dentes Até 4 000 000 € em caso de reincidência; 47 000 000 € efetivamente aplicados só em 2025.
800 000 € Espanha — coima + lista negra Mais um registo público de empresas com mais de 600 000 € de dívida vencida a fornecedores.

O teste do "não manifestamente abusivo" da diretiva europeia geral continua a aplicar-se na maioria dos outros Estados-Membros — sem um único número duro como os de cima.

3. 8 pontos percentuais acima da taxa do BCE — o relógio que arranca sozinho

Assim que uma fatura ultrapassa o prazo de pagamento, começam a correr juros de mora automaticamente — sem carta, sem interpelação, sem tribunal. O mínimo está fixado na diretiva: 8 pontos percentuais acima da taxa de referência do Banco Central Europeu.

Com a taxa do BCE em 2,40% (agosto de 2026), isso dá 10,40% ao ano — a correr hoje sobre qualquer fatura B2B por liquidar na zona euro, saibam as partes ou não. Numa fatura de 2250 € paga com 45 dias de atraso, são só de juros 29 €, antes de entrar em cena qualquer outro custo.

4. 40 € — a indemnização que quase ninguém reclama

Além dos juros, qualquer credor tem automaticamente direito a uma indemnização fixa de 40 € por fatura paga com atraso, em toda a UE, assim que a data de vencimento passa — sem interpelação e sem ter de provar que suportou efetivamente custos de cobrança. Se o custo real de andar atrás da dívida (advogado, empresa de cobranças) for superior, pode reclamá-lo também, por cima desses 40 €.

Na prática, quase nenhum negócio de restauração alguma vez a pede — não vem no modelo de fatura e ninguém a acrescenta à mão numa carta de aviso. Uma casa a quem dez faturas de catering por ano são pagas com atraso está a deixar 400 € em cima da mesa que a lei já lhe atribuiu, antes sequer de os juros entrarem na conta.

5. 45 dias fim de mês, ou 60 desde a fatura — a França e as suas coimas

A lei francesa LME deixa as empresas escolher entre duas estruturas: 60 dias a contar da data da fatura ou 45 dias fim de mês — o que na prática pode esticar-se até perto de 75 dias numa fatura emitida logo depois da viragem do mês. E a França fiscaliza a sério: uma empresa infratora arrisca uma coima até 2 000 000 €, que sobe para 4 000 000 € em caso de reincidência no prazo de dois anos.

Não é letra morta. Só em 2025 foram fiscalizadas 409 empresas francesas, com um total de 47 000 000 € em coimas efetivamente aplicadas — e os nomes das empresas sancionadas passaram a ser publicados por rotina.

6. 800 000 € — o tecto de coima em Espanha e a sua lista negra

Espanha tem o mesmo tecto de 60 dias, mas a lei Crea y Crece de 2022 acrescentou-lhe uma coima até 800 000 € para quem o ultrapassar. A par disso, Espanha mantém um registo público das empresas que pagam sistematicamente com atraso: qualquer empresa com mais de 600 000 € de dívida vencida a fornecedores que pague pontualmente menos de 10% das suas faturas é identificada publicamente.

O efeito é uma segunda alavanca por cima dos juros e da indemnização — não apenas financeira, mas reputacional, exatamente o tipo de pressão que um negócio de restauração isolado nunca conseguiria organizar sozinho contra um cliente grande que atrasa por sistema.

7. 2025 — o ano em que morreu um número europeu

Em setembro de 2023, a Comissão Europeia propôs um novo regulamento que teria limitado os prazos de pagamento B2B em toda a UE a um único limite duro de 30 dias — sem exceções, sem a prorrogação contratual até 60 dias que a maioria dos Estados-Membros hoje permite. O Parlamento Europeu aprovou em 2024 uma versão mais branda (até 60 dias por acordo expresso), mas a proposta encalhou entre o Conselho e o Parlamento.

Em 2025, a presidência dinamarquesa que entrava confirmou que não haveria mais nenhuma diligência. A proposta está, na prática, morta, e a atual manta de retalhos mantém-se tal e qual: 60 dias duros na Bélgica, em França e em Espanha, um teste mais brando de "não manifestamente abusivo" noutros sítios, e uma coima diferente — ou nenhuma — consoante o país. Por agora, não há um único número europeu que se aplique da mesma forma em todo o lado.

De uma diretiva a uma manta de retalhos

Catorze anos de lei europeia sobre prazos de pagamento, em quatro momentos.

1
2011 Diretiva 2011/7/UE A UE fixa o piso comum: 30 dias por defeito, 8 pontos acima da taxa do BCE, 40 € por fatura em atraso.
2
2022 A Bélgica fecha a porta das traseiras 1 de fevereiro: qualquer cláusula B2B acima de 60 dias passa a ser tida por não escrita.
3
2023 Bruxelas propõe um só número A Comissão Europeia insiste num limite único e duro de 30 dias, em toda a UE, para cada transação B2B.
4
2025 A proposta morre A presidência dinamarquesa confirma: sem mais diligências. A manta de retalhos fica exatamente como estava.

Nada aponta para uma nova tentativa a curto prazo — os tectos nacionais continuam a ser os únicos números duros em cima da mesa.

Quanto custa legalmente uma fatura em atraso

A calculadora abaixo faz a mesma conta nos dois sentidos: introduza o valor da fatura e quantos dias de atraso leva, e veja o que a lei acrescenta automaticamente por cima da própria fatura. Escolha primeiro de que lado está a olhar: o fornecedor que o faz esperar, ou o cliente sentado em cima da sua fatura. O valor não muda — muda apenas a quem a lei diz que pertence.

Por defeito, os juros estão fixados em 8 pontos percentuais acima da taxa atual do BCE de 2,40%, mas pode ajustá-los — os países fora da zona euro usam a taxa de referência do seu próprio banco central, mais esses mesmos 8 pontos.

Calcule: juros + indemnização numa fatura em atraso

Valor da fatura, dias de atraso, a taxa de juro — a lei faz o resto automaticamente.

Taxa legal anual
taxa de referência + 8 pontos
Juros acumulados
sobre os dias de atraso
Indemnização fixa
automática, sem interpelação
Total por cima da fatura
juros + indemnização somados

Valores por defeito: uma fatura de 2250 €, 45 dias de atraso, a 10,40% (BCE + 8 pontos) — ajuste-os à sua situação.

Ilustração do mecanismo europeu, não é aconselhamento jurídico. Verifique a transposição exata e eventuais tectos nacionais (como os 60 dias belgas) para o seu país.

Isto ilustra o mecanismo da Diretiva 2011/7/UE — não é aconselhamento jurídico nem um cálculo exato para um caso concreto. A transposição precisa, a moeda e eventuais desvios nacionais (como o tecto duro belga de 60 dias) variam de país para país. Em caso de dúvida, confirme as regras do seu próprio Estado-Membro.

O que a calculadora mostra bem: os juros e a indemnização correm automaticamente, quer alguém os peça ou não. Na maioria das faturas em atraso na restauração não se reclama um cêntimo de nenhum dos dois — não porque a lei não o permita, mas porque ninguém alguma vez foi verificar.

O que fazer concretamente com estes sete números

Três movimentos, consoante o lado da fatura em que está.

Quando é você a pagar (devedor)

  • Reveja os contratos com fornecedores à procura de um prazo superior a 60 dias — na Bélgica essa cláusula é nula de qualquer forma; noutros países, peça simplesmente que seja revista.
  • Negoceie o prazo em vez de o deixar arrastar — 30 dias em vez de 7 está muitas vezes em cima da mesa numa relação antiga (ver negociar-fornecedores-restaurante.html).
  • Pague dentro do prazo acordado sempre que puder: 10,40% de juros sobre uma fatura por liquidar é mais caro do que a maioria das linhas de crédito de curto prazo.

Quando é você a faturar (credor)

  • Ponha por defeito os juros de mora e a indemnização de 40 € no seu modelo de carta de aviso, mesmo que nem sempre os aplique — só o sinal já acelera muitas vezes o pagamento.
  • Com um cliente cronicamente atrasado (>60 dias), reclame mesmo os juros e a indemnização — não é um gesto agressivo, é o que a lei já lhe atribui.
  • Escreva o prazo de pagamento de forma expressa em cada orçamento e contrato de evento ou catering — um prazo que ninguém acordou volta diretamente aos 30 dias.

Perante um litígio estrutural

  • Documente as faturas, as datas de vencimento e cada aviso enviado — é disso que precisa uma interpelação ou uma ação.
  • Verifique se o seu país tem um registo ou mecanismo de denúncia próprio (como a lista espanhola de maus pagadores) para os infratores crónicos.
  • Só envolva advogado ou empresa de cobranças quando o montante justificar esse custo — o custo real de cobrança pode, de qualquer forma, ser reclamado por cima dos 40 €.

O que fazer com isto na prática

O objetivo deste artigo não é que amanhã envie a cada fornecedor atrasado uma interpelação com juros e 40 € de indemnização — com um fornecedor com quem tem boa relação, muitas vezes não compensa. O objetivo é que passe a saber o que a lei permite, nos dois sentidos: um fornecedor que na Bélgica o faz esperar mais de 60 dias está pura e simplesmente a violar a lei — e um cliente de catering que fica 45 dias com a sua fatura já lhe deve juros e 40 €, quer os reclame ou não.

Do lado do fornecedor, gestao-fluxo-caixa-restaurante.html continua a ser o sítio onde transforma isto em tática — negociar 30 dias em vez de 7, ou oferecer desconto de pronto pagamento aos fornecedores centrais. Do lado do cliente, é apenas uma questão de pôr por defeito os juros de mora e os 40 € no seu modelo de carta de aviso, para que deixe de ser exceção e passe a ser hábito.

Dois lados, uma lei, e sete números que a maioria dos proprietários nunca foi consultar — estando já sujeitos a eles todos os meses, dos dois lados da sua própria contabilidade.

Perguntas frequentes sobre prazos de pagamento

Qual é o prazo legal de pagamento entre empresas na Bélgica?

Por defeito, 30 dias de calendário se nada for acordado. Contratualmente pode ser mais longo, mas desde 1 de fevereiro de 2022 nunca mais de 60 dias de calendário — uma cláusula mais longa é tida por não escrita por força da lei e a fatura volta ao prazo supletivo de 30 dias.

Posso cobrar juros se um cliente de catering pagar a minha fatura com atraso?

Sim, automaticamente e sem interpelação: pelo menos 8 pontos percentuais acima da taxa de referência do Banco Central Europeu, mais uma indemnização fixa de 40 € por fatura em atraso — um direito que a lei lhe atribui assim que a data de vencimento passa.

A regra belga dos 60 dias aplica-se a qualquer valor ou só a grandes contratos?

A qualquer valor e a qualquer dimensão de empresa. A lei de 2021/2022 não distingue entre um grande acordo de fornecimento e uma pequena encomenda avulsa — o tecto de 60 dias é absoluto.

Tenho de enviar um aviso antes de poder reclamar os 40 €?

Não. A indemnização de 40 € é devida assim que o prazo de pagamento expira, sem interpelação e sem ter de provar que suportou efetivamente custos de cobrança.

Vai alguma vez existir um prazo de pagamento único de 30 dias em toda a UE?

Não a curto prazo. A Comissão Europeia propô-lo em 2023, mas a proposta encalhou entre o Parlamento e o Conselho e foi efetivamente abandonada pela presidência dinamarquesa que entrou em 2025. A atual manta de retalhos de regras nacionais mantém-se.

O prazo de pagamento conta desde a data da fatura ou desde a entrega?

Desde a data mais tardia das duas — a da fatura ou a da entrega efetiva dos bens ou do serviço. A Bélgica proibiu também expressamente a manobra em que o relógio só arrancava depois de uma verificação de conformidade: esse período de inspeção passou a contar dentro do prazo, e não antes dele.

E se o meu fornecedor puser mesmo assim um prazo superior a 60 dias no contrato?

Na Bélgica, essa cláusula é simplesmente nula: é tida por não escrita e aplica-se automaticamente o prazo legal de 30 dias, esteja o que estiver no papel. Em países sem tecto duro, um prazo mais longo pode valer, a não ser que seja "manifestamente abusivo" para si enquanto credor.

A taxa de juro é diferente fora da zona euro?

O princípio é o mesmo — 8 pontos percentuais acima da taxa de referência — mas o ponto de partida muda: os países fora da zona euro usam a taxa do seu próprio banco central nacional em vez da do BCE.